2.05.2016

Um mês sem você...


Quando vim morar com meu namorado decidimos adotar um gatinho para alegrar um pouco a casa, mas depois de alguns meses, quando estivéssemos mas tranquilos com as contas e blabla.
Não fazia nem um mês que mudamos para nossa casinha e o amor voltou do trabalho com uma enorme caixa, e quando abriu havia um gatinho magrelo, peludo e muito assustado dentro...nosso pequeno Caca. Confesso que ele não era tãaao pequeno assim, mas ainda era um bebê de 5 meses; para mim de inicio foi meio estranho, eu nunca tive um animalzinho em casa que não fosse um peixe, mas com o tempo fui me acostumando com o Cacazito.
Eu tentava educa-lo, fizemos sua casinha, compramos bichinhos e enchíamos ele de amor todos os dias; eu sempre que chegava no trabalho ou na casa dos meus pais e ficava contado todas as peripécias daquele gato doidinho, contava como ele vinha me acordar todas as manhã lambendo minha cara e pedindo comida, como ele amava ir no meio do jardim tirar seu soninho da tarde, as bagunças que ele fazia.
Em uma noite, meu namorado chegou do serviço e soltou ele um pouquinho para dar sua voltinha diária e o Caca não voltou mais, foi uma semana triste e agonizante, mas eu sabia que um dia ele voltaria; nós colocamos cartazes com sua foto pelo bairro todo e de madrugada enquanto eu dormia, ouvi seu miado na porta e não acreditei que ele havia voltado!
Depois desse dia nós começamos a ter mais cuidado, como eu havia passado para o turno da manhã ele saia para passear logo cedo e quando eu chegava do trabalho. Em uma noite recebemos a visita de um amigo, e na hora de ele ir embora o Caca aproveitou para sair...não demorou muito para ele voltar correndo e quando percebemos ele estava sangrando na boca, alguém havia batido nele. Ficamos desesperados pois já era onze horas da noite e não havia onde levar o gatinho, mas logo pela manhã do dia seguinte o veterinário apareceu e cuidou do Cacazinho; ele perdeu todos os seus dentinhos mas se recuperou bem rápido e voltou a ser feliz.
Inúmeras coisas aconteceram com ele depois disso, parecia que todo mal que pode vir para um gatinho vinha no Caca, mas sempre continuamos cuidando do nosso pequeno.
No ano novo, na queima de fogos viemos para casa ficar com o Caca imaginando que ele estaria com medo do barulho, entramos e o chamamos todos os cômodos e nada, até que o Amor encontrou ele em baixo do nosso tablado na sala, todo encolhido e tremendo! Levamos o Cacazito para o escritório, onde pega menos barulho da rua e lá ficamos na cama até passar todo o barulho. No dia seguinte estava tudo bem e muito tranquilo, logo cedo meu pequenino pulava para todos os lados enquanto eu só queria tomar meu café...e o dia seguiu assim, bem feliz! No domingo pós réveillon percebemos que ele estava muito amuado, o Caca nunca foi um gato tranquilo que gosta de ficar deitado na caminha dele sem ser a noite, ele queria era a nossa cama, o sofá ou o jardim da frente...e nesse dia ele não saiu da casinha. Não comeu. Não bebeu água. Não usou a caixinha de areia. Percebi que ele forçava e forçava para fazer xixi e não saia nada, ele já havia apresentado esses sintomas uma outra vez e o médico falou que era só uma infecção de urina, era normal. No dia seguinte, logo cedo, o Amor levou o Caca para uma clinica que nos indicaram onde ele foi diagnosticado com pedra no rim e na uretra, uma infecção urinária bem grave que já havia passado para o sangue. Começamos a trata-lo, compramos a ração que haviam pedido e ele não comeu, apenas dormiu e vomitou o dia inteiro e na manhã seguinte foi ao retorno que o veterinário tinha marcado e estava aparentemente melhor.
O dia seguiu e eu não sai do lado do meu pequenino, dei bastante agua de coco que havia sido recomendado; ele parecia estar melhorando e até quis ir para o jardim um pouco. Começou anoitecer e enquanto eu esperava o Amor chegar do trabalho, o Cacazito teve sua primeira convulsão; comecei a ficar desesperada e não sabia o que fazer, logo em seguida ele teve outra e depois disso ele parecia não estar mais aqui. Seu coração ainda batia e ele respirava lentamente, estava claro que ele já estava partindo e nós não podíamos fazer nada; levar em uma clinica 24 horas talvez poderia ser a solução, mas ele já estava muito fraquinho e certamente não ia resistir a mais uma dose de anestesia com antibiótico. Montei minha cama ao lado dele, ficamos cantando e fazendo carinho em nosso pequenino para que ele pudesse finalmente descansar em paz, e quando deu 1 hora da manhã, do dia 5 de janeiro, meu pequenino se foi.
Confesso que choro até hoje pensando dele, pensando que não pude salva-lo; agora mesmo estou aos prantos só de recordar os últimos momentos do Cacazito.
Mas enfim, hoje faz um mês que tudo aconteceu e sim eu fico muito triste mas sei que fiz ao máximo tudo que eu podia fazer por ele. Dei ao Caca tudo que estava ao meu alcance sempre, não havia um gatinho tão mimado quanto ele haha; e ele me ensinou muitas coisas: eu aprendi a amar um animalzinho, aprendi a cuidar, vi o quanto ele demonstra afeto por nós e me diverti muito com ele! Sei que não vai haver nenhum gato que substitua ele, mas sei que há vários esperando por um lar cheio de amor para viver...quem sabe em breve o Cacazito ganhe um irmãozinho.

Nicole Deamente

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